Você não É & não deveria SER! E a armadilha do autoconhecimento
- psinataliafiorati
- 22 de jan. de 2025
- 2 min de leitura

Nada no mundo É eternamente consistente e imutável, e você também não deveria ser! Ao longo do desenvolvimento, nós aprendemos a nos descrever a partir de uma perspectiva única. E essa perspectiva precisa ser consistente e coerente, ou seja, não adianta dizer que é honesto se você acabou de mentir, que a sociedade irá discordar e te punir.
E a partir da construção e compreensão de nossa perspectiva, nós criamos nossa própria história, e a partir dela surge nosso autoconhecimento.
E quanto mais autoconhecimento melhor, né?
Não necessariamente!
O autoconhecimento é algo positivo, mas tomando cuidado com a forma que entendemos a nós mesmos e nossa própria história. Nós aprendemos a descrever quem somos e como nos tornamos assim a partir de uma narrativa avaliativa, ou seja, falamos de características, atributos, emoções, etc.: muitos aspectos amplos, difíceis de mudar e absolutos! Quem nunca ouviu e falou um "sou tímido, é difícil pra mim", "sou grosso mesmo, falo na cara", etc?
Nós nos apegamos a descrições, baseadas na suposta narrativa sobre nós mesmos e justificamos nossas ações a partir dela. Nós tentamos ser consistentes com essas narrativas, para que nem nós nem os outros venham nos cobrar de ser/não ser.
Tentamos viver dentro das histórias, sejam elas grandiosas ou terríveis. Tentamos nos tornar o que dizemos que somos.
Mas e quando essas histórias nos limitam? Quando esse suposto autoconhecimento é tão rígido e inflexível que se torna "Lei" dentro de nossa própria existência? Quando nos identificamos demais com as histórias que inventamos para explicar nós mesmos, nós limitamos outras possibilidades de SER.
Pode até ser que sintamos uma crítica como a nossa narrativa como um ataque direto a nós mesmos. Quem nunca se sentiu incomodado quando alguém disse que você é - ou não é - algo que você acreditava (não) ser? Nós interpretamos nossa história para caber no que achamos que seria consistente com a narrativa que criamos, e assim, criamos uma profecia autorrealizadora: "vou agir de modo X porque eu acredito que sou de modo X" - sem considerar o contexto ou as mudanças do mundo. O problema não é autoconhecer, mas sim se segurar de forma insistente a esta narrativa sem dar espaço para mudança e transformação.
Ou seja, cuidado com a armadilha do autoconhecimento: ela pode te dar a ilusão de se conhecer e te prender num modo de ser. Lembre-se que você está em constante transformação e ainda bem!



